Fasching 2015 em Esslingen (Foto: Aline Lima)
Fasching 2015 em Esslingen (Foto: Aline Lima)
Normalmente, quando se fala de carnaval na Alemanha, a cidade de Colônia é automaticamente citada. Os carros alegóricos, abordando temas da conjuntura atual, música e muita diversão de um jeitinho que até lembra o carnaval brasileiro. Entretanto, no sul do país uma festa diferente toma as ruas, fazendo a diversão dos adultos e o terror das crianças.

As cores não são tão vibrantes; nem as fantasias, as mais simpáticas. Tem confete, doces para os pequenos e um frio de congelar a alma. Esse é o Fasching (Fastnacht no dialeto suábio), cuja tradição iniciou na Idade Média e, desde 2014, é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco com história e objetivo diferentes do Karneval, realizado no norte.

A festa, de origem suábia-alemânica, é caracterizada pelo desfile de grupos fantasiados com máscaras de madeiras, representando lobos, bruxas, demônios, bobos da corte, dentre outros. O uso dessas imagens monstruosas tem relação à crença medieval de que, vestidos assim, era possível espantar o inverno, um período do ano difícil de sobreviver.

Fantasias de lobos, bruxas, demônios e bobos da corte são típicos do Fasching (Foto: Aline Lima)
Fantasias de lobos, bruxas, demônios e bobos da corte são típicos do Fasching (Foto: Aline Lima)

Ao longo do desfile, os personagens brincam com o público, jogando confete nas pessoas, "sequestrando" por alguns metros meninas mais eufóricas e assustando as crianças. Umas das tradições também é a distribuição de doces para os pequenos, por isso, todos levam uma sacolinha para juntar as guloseimas. Às vezes, os adultos tem sorte e também ganham algo. Eu, por exemplo, consegui um ratinho de gelatina de uma das bruxas.

O Fastnacht chega ao fim na terça-feira à noite, anterior à Quarta-feira de Cinzas, com uma cerimônia especial. Em Esslingen, o evento contou com apresentações de dança e artistas que surpreenderam o público ao fazerem diversos números com fogo e o preparou para o grande momento:  o Hexenverbrennung. O termo está ligado à Inquisição durante a Idade Média em que as mulheres consideradas bruxas eram queimadas na fogueira.

Os grupos de Fasching realizam uma pequena procissão ao som de uma marcha fúnebre e levam a bruxa para a fogueira onde será queimada e representará oficialmente o final da festa. Esse ritual lembra, de certa forma, o Judas que também é queimado em muitas cidades brasileiras na Quarta-feira de Cinzas.


Gostou do post de hoje? O que acharam do estilo carnavalesco do sul da Alemanha? Para saber mais sobre carnaval, confira também nosso artigo "De Roma para o Brasil: a história do carnaval" sobre a origem do carnaval brasileiro.