Diversão no parquinho nos 15 primeiros dia de Au Pair
Diversão no parquinho (Foto: Aline Lima)

Após meses de preparativo, o dia tão esperado chegou. Tcharam! Hora de começar uma das experiências mais independentes que programei. A famosa ficha apenas caiu poucos dias antes da viagem, quando finalmente consegui visualizar a dimensão dos 12 meses longe da minha mãe. Ok, pensamento um pouco infantil (ou não), mas o fato é que nunca passei tanto tempo fora de casa e o meu espírito aventureiro, do qual sempre tive orgulho, começou a vacilar diante da iminência de sair da tal da zona de conforto.

O nervosismo ainda persistia mesmo depois do contato diário, via Whats App, que tive com as crianças ao longo da semana. Afinal, como saber se elas realmente iriam gostar de mim e meus conhecimentos de alemão seriam o suficiente para conviver com a Gastfamilie? E foi com essas dúvidas que embarquei numa viagem de aproximadamente 10 horas até meu destino final. O trajeto tornou-se um pouco menos cansativo com o novo voo da Condor que liga Fortaleza a Frankfurt. Depois disso, apenas mais um voo com destino a Stuttgart onde fui recepcionada pela minha prima e o marido dela, que ficaram comigo até a Gastfamilie chegar.

Enquanto procurava em todas as pessoas que passavam no desembarque alguma face semelhante à da Gastmutter ou dos pequenos, mal conseguia interpretar a informação de que novamente pisava em solo germânico. Quando finalmente os avistei, foi uma explosão de sentimentos inexplicáveis e a questão agora era: o que fazer? Paralelamente, uma das meninas me reconheceu e, enquanto todos vinham ao meu encontro, visualizei um filme com as explicações que já tive de como cumprimentar alemães. No final, foi do jeito brasileiro mesmo: abracei geral.

Primeiros momentos com a Gastfamilie
Primeiros momentos com a Gastfamilie

E assim começou minha adaptação. A família tem sido um amor, o que torna tudo mais fácil. Eles prepararam um quarto lindo para mim com direito a muitos mimos. As crianças queriam estar comigo a todo momento, de modo que constantemente era disputada. Na primeira semana, por exemplo, a discussão principal era para/com quem iria ler na hora de dormir e os ânimos somente se acalmaram após organizarmos um calendário rotativo. Hoje, embora já não seja mais a grande novidade, ainda sou surpreendida com presentinhos fofos e tenho a presença exigida em algumas atividade.

Nessas duas primeiras semanas, pude conhecer melhor a rotina deles e já tive a experiência de ficar sozinha com os três pimpolhos em algumas situações. Fui ao zoológico, frequentei o parquinho, visitei amiguinhos, conheci vizinhos e o que mais me chamou a atenção é que sempre sou apresentada como a Au Pair Mädchen que veio do Brasil, gosta do Manuel Neuer e tem um irmão que é mais novo e mais alto. Também pude perceber, nesse tempo, o quanto perdi da minha "coragem" de criança. Coisas simples, como se balançar bem alto, tornou-se algo muito radical para mim. Talvez seja a hora de recuperar isso.