Um ano como Au Pairs e muitas histórias na bagagem


Grandes viagens, novas experiências e muito aprendizado. Enquanto algumas pessoas preparam as malas para experimentar novas culturas, outras já olham com saudade os momentos vividos em terras estrangeiras. Este é o caso da jornalista Thaís Brito e da enfermeira Erika Lima, cearenses que embarcaram para os EUA e Alemanha, respectivamente, pelo programa de Au Pair.

Thaís optou pelo intercâmbio em 2005 com a ajuda do irmão mais velho. Após ouvir sobre a experiência de uma amiga, ele achou que seria ótimo para a irmã. "Começamos a pesquisar, e depois de todos os preparativos e papeladas, viajei para os Estados Unidos em julho de 2007." Na época, Thaís tinha 19 anos e morou durante um ano em Lynbrook, NY. Ela conta que a escolha da família foi intermediada pela Cultural Care, agência na qual deixou o dossiê à procura de um match.

O contato com a host family durou uma semana e foi realizada por telefone e e-mails. Embora um período considerado curto por muitas participantes, Thaís garante que a escolha não poderia ter sido melhor. "Meus host parents eram pessoas maravilhosas, acolhedoras e bem humoradas. Eram do tipo de dar festa de aniversário surpresa e de comprar chocolate branco quando eu estava triste (era difícil encontrar por lá e eles sabiam que eu amava)".

Thaís Brito com sua host family (Foto: Arquivo pessoal)
Thaís Brito com sua host family (Foto: Arquivo pessoal)

Quatro anos depois, era a vez de Erika cruzar o Oceano Atlântico com destino à Colônia, a quarta maior cidade da Alemanha. Na época, a enfermeira tinha 22 anos e já conhecia a Gastmutter, que costumava passar férias no Brasil com a família. "Em maio de 2009, eles me enviaram uma carta convite. Não pensei duas vezes! Em agosto do mesmo ano, quando estavam voltando de férias, viajei com eles"

Erika foi acolhida por uma família composta por quatro pessoas. O pai, alemão, a mãe, brasileira, e duas crianças: um menino de 4 anos e uma menina de 6. Todos falavam um pouco português, o que facilitou bastante a adaptação à nova cultura. Um dos aspectos de que a enfermeira lembra com carinho era integração que teve com a Gastfamilie. "Eles me acolheram como um membro a mais da família. Eu participava de todas as viagens, datas e eventos comemorativos.".

Por outro lado, Thaís ficou responsável por três crianças mais novas que aquelas sob os cuidados de Erika: um menino com pouco mais de um ano e os gêmeos que nasceram logo após sua chegada. A pouca idade proporcionou uma experiência única para Thaís. "Foi lindo acompanhar a evolução deles a cada dia, ver os primeiros traços de cada personalidade e me apegar a cada trejeito."

Desafios e aprendizados


À esquerda, Erika durante os passeios de bicicleta em Koln e, à direita, Thaís em New York
À esquerda, Erika durante os passeios de bicicleta em Koln e, à direita, Thaís em New York

O intercâmbio de Au Pair foi a primeira experiência fora do Brasil tanto da Erika quanto da Thaís, sendo a maior aventura vivida por ambas até então. No caso da enfermeira, coincidiu também com a primeira viagem feita de avião. Embora a experiência seja encantadora, não é fácil ficar longe de casa por tanto tempo.

A jornalista conta que sempre foi bastante apegada à família e ao lugar de origem, portanto a distância foi seu principal desafio. Para suportar tantos quilômetros, ela se lembrava constantemente de que logo voltaria para casa e "a sensação de ter férias super longas acabou aliviando a saudade.". Para Erika, as dificuldades estavam relacionadas ao choque cultural nos primeiros meses. "Meus maiores desafios foram me acostumar com os tipos de refeições, utilizar a língua alemã, enfrentar os termômetros abaixo de zero e utilizar as ciclovias." Mas garante que logo superou, devido ao apoio que recebeu da Gastfamilie.

Por outro lado, a lista de benefícios listados pelas duas são enormes, com destaque para a independência, amizades e aperfeiçoamento da língua estrangeira. "Trouxe na bagagem a experiência de me virar sozinha em diversas situações pela primeira vez. Planejar viagens para outras cidades, resolver perrengue em banco, fazer meu próprio caminho. A vida longe dos meus pais, apesar de acompanhada dos host parents, fez com que eu me sentisse à frente da minha própria vida. Aprendi também a desconstruir rótulos e a valorizar as diferenças culturais", conta Thaís.

Erika brincando na neve com a Gastfamilie (Foto: Arquivo Pessoal)
Erika brincando na neve com a Gastfamilie (Foto: Arquivo Pessoal)

Erika afirma que o programa Au Pair ajudou a superar medos e realizar vários desejos. "Com um mapa nas mãos e uma bicicleta, conheci cada pedacinho da cidade (Colônia). Tive a oportunidade de estudar na Volkshochschule e aprimorar meu alemão, uma vez que falava apenas o básico. Minha mente se expandiu muito. Hoje tenho uma nova visão em relação ao mundo e outras culturas. Até hoje tenho contato frequente com a família e amigos.", completa.