Tradicionalmente comemorado em todo o mundo, o Natal é a principal festa de fim de ano. Dentre os diversos símbolos que representam essa data comemorativa, o Papai Noel figura o imaginário de crianças de diferentes nacionalidades que esperam o bom velhinho para receber a recompensa pelo comportamento exemplar.

O símbolo do Papai Noel foi inspirado em São Nicolau, sacerdote que viveu no Império Constantino e ficou conhecido por utilizar sua herança para ajudar os necessitados. Um dos Papai Noéis mais antigos da cidade, que o identificaremos com o nome fictício Lucas Almeida, explica que São Nicolau “atravessava todos aqueles países da Europa, arrecadava dinheiro e quando chegava uma menininha pobre, ele comprava um marido para ela”.

 Almeida começou a trabalhar na área em 1989, quando tinha 26 anos. A princípio, trabalhou com um amigo relacionado a eventos, depois candidatou-se para a vaga de Papai Noel lançada por um Shopping. Lucas diz ainda que de todas as datas comemorativas, prefere o Natal. Desde que começou a trabalhar como Papai Noel, realiza constantes pesquisas sobre o tema. “Gosto de ser Papai Noel e, por coincidência, eu nasci no dia de São Nicolau”, conclui.

Hoje, atuar como bom velhinho é uma profissão temporária e está fortemente inserido em um contexto comercial. Sua presença tornou-se obrigatória neste período do ano em shoppings, lojas e festas infantis. Em Fortaleza, agências especializadas são responsáveis por suprir o mercado com esses profissionais.

Regina Cavalcante, responsável por uma dessas agências, a BMCC, explica que a seleção para ser um bom velhinho e fazer o Natal de tantas pessoas é bem criteriosa. Regina diz que escolhe pela altura, peso, vocabulário, além de perguntar se os candidatos são casados e tem filhos. “Se ele tem filho pequeno, ele coloca uma criança de 1 ano no colo e tem uma afinidade com ela. A gente procura sempre se informar, porque no mundo de hoje tem caso de pedofilia, então a gente tem que ter muito cuidado para lidar com o filho dos outros. Tem que ter uma postura”, explica.

Habilidades com arte também podem contribuir para uma melhor desenvoltura na profissão. Sandro Pantoja, técnico de informática, diz que a experiência adquirida com teatro e durante o tempo que atuou como missionário influenciou no convite feito pela BMCC para assumir primeira vez uma das vagas para Papai Noel neste ano. Sandro explica que já trabalhou em dois shoppings e considera a experiência encantadora.

O salário dos Papai Noéis não é muito animador, variando de acordo com o local onde vai trabalhar e de características físicas, como a veracidade da barba. De acordo com Regina Cavalcante, um Papai Noel com barba natural recebe de R$ 350 a R$ 450 por evento, sem a barba, o cachê varia entre R$ 200 a R$ 250. Quanto à preferência pela originalidade da barba, Regina diz serem melhores os que usam adereço postiço. “Um Papai Noel desse pode se sentar do seu lado aqui e você não reconhece ele. É a magia do Papai Noel, ele se transforma”.

Entretanto, a renda não é o principal atrativo para parte dos profissionais. Este é o caso do projetista de agronomia Gauber Pontes que está atuando pela segunda vez como Papai Noel. O projetista conta que começou a trabalhar ano passado no ramo por necessidade, mas neste ano voltou por hobby e para fazer caridade. “É bem gratificante”, disse.



Confira os bastidores dessa reportagem no Blog da Redação Revista Impressões Digitais


 (Reportagem produzida para a disciplina de Webjornalismo, ministrada pela professora Naiana Rodrigues, do curso de Jornalimo da UFC - também publicado na Revista Impressões Digitais)