Histórias envolvendo fantasmas de mulheres vingativas estão sempre presentes na infância. Quem nunca se assustou, por exemplo, com os depoimentos sobre a Loira do Banheiro, a Mulher de Branco e a Mulher de Preto? Esta última ganhou uma nova versão cinematográfica, que chamou a atenção dos críticos quando estreou em fevereiro.

A Mulher de Preto (The Woman in Black, 2012) é baseado no romance da autora Susan Hill e conta a história do advogado londrino Arthur Kipps (Daniel Radcliffe). Após a morte da esposa Stella Kipps (Sophie Stuckey) durante o nascimento do filho, Arthur transformou-se em um homem depressivo e com baixa produtividade no trabalho. Para salvar o emprego, o jovem advogado vê-se obrigado a viajar para a vila Crythin Gifford com o objetivo de organizar os documentos de uma cliente recém-falecida, dona da Casa Eel Marsh. A região é assombrada pelo espírito de uma mulher envolta em mistérios e um desejo ardente por vingança.

A película foi produzida com uma atmosfera bastante sombria nos cenários e personagens, característica típica dos filmes produzidos pela companhia britância Hammer Film Production. A companhia ficou bastante conhecida na década de 1960 pelas séries de filmes sobre Drácula, Frankenstein e múmias.

A experiência do diretor James Watkins com o gênero terror foi fundamental no sucesso da produção. Pequenos detalhes como a pouca iluminação nos ambientes proporcionam no espectador uma apreensão constante. O diretor é conhecido pelos filmes O Olho que tudo vê (My little eye, 2002) e Eden Lake (2008) que lhe proporcionaram os prêmios Chainsaw Award (2005) e Douglas Hickox Award (2008) respectivamente.

Após dez anos trabalhando como Harry Potter, na franquia de mesmo nome, Daniel Radcliffe mostrou ser mais que um ator de temporada. O ator conseguiu sair bem do antigo papel de bruxinho, representando com excelência um pai de família sofrido sem que, em momento algum, fizesse o público lembrar de seu antigo papel. Talvez o único pecado tenha sido o porte físico do ator, que parece mais o de um garoto do que o de um homem maduro, mas ainda assim, esse fato foi bem disfarçado por sua atuação.

O filme é remake de uma versão produzida por Herbert Wise em 1989. Na época, Arthur Kidd foi interpretado pelo ator Adrian Rawlings, que, curiosamente, também participou da franquia Harry Potter como Tiago Potter, o pai do personagem principal. As diferenças entre as duas versões são notáveis a ponto de aguçar a curiosidade do público sobre qual delas mais se aproxima da obra de Susan Hill.

A primeira versão apresenta uma estória bem leve. O protagonista é divertido e possui uma vida feliz ao lado da família. Quando chega à vila Crythin Gifford, é bem recebido pelos moradores que se divertiam na feira. Além disso, a as mortes das crianças envolvidas não foram bem ilustradas. De modo geral, esse filme possui cenas mais iluminadas e apresenta apenas um momento que causa certo desconforto no público.

Ao contrário, a versão lançada neste ano ressalta desde o início o drama de Arthur Kipps. Na vila, os habitantes são bastante hostis com o protagonista ao descobrirem seu intento e todos agem como se estivessem constantemente fugindo de algo. Os cenários pouco iluminados ajudam na construção de uma atmosfera sombria.

Os interessados também podem acessar o site oficial do filme, onde estão disponíveis trailer, galeria de fotos e jogos. Confira abaixo o trailer do filme.